Doença de Alzheimer

O que é a doença de Alzheimer?

Alzheimer é uma doença do cérebro. Para entendê-la bem, vale olhar para dois lados: o que acontece biologicamente no cérebro e como essas alterações aparecem na vida da pessoa.

Por Dr. Cesar Castello Branco Lopes, neurologista CRM-SP 193861 | RQE 94138 Revisado em 15 de agosto de 2026

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva. Isso significa que determinadas redes cerebrais passam a funcionar de maneira inadequada e, ao longo do tempo, ocorre perda de conexões e degeneração de neurônios.

Em uma frase

A doença de Alzheimer é uma doença cerebral progressiva associada a alterações biológicas específicas, entre elas o acúmulo anormal de beta-amiloide e tau, que pode levar a declínio de memória e de outras funções cognitivas.

Podemos entender a doença por dois pontos de vista complementares. O primeiro é observar o que acontece dentro do cérebro. O segundo é compreender como essas alterações se manifestam clinicamente, isto é, o que muda na memória, no raciocínio, na linguagem, no comportamento e na autonomia.

O que acontece no cérebro na doença de Alzheimer?

Entre as alterações biológicas mais características da doença estão duas proteínas: beta-amiloide e tau.

Beta-amiloide

Formas anormais podem se acumular no espaço entre as células nervosas e formar placas amiloides.

Proteína tau

Alterações da tau podem levar à formação de emaranhados dentro dos neurônios e à perda de sua organização interna.

Redes cerebrais

Com a progressão da doença, conexões entre neurônios são prejudicadas e determinadas regiões cerebrais sofrem atrofia.

É importante não simplificar esse processo como se duas proteínas, sozinhas, explicassem toda a doença. Alzheimer envolve uma cascata complexa de alterações moleculares, celulares, inflamatórias e de funcionamento das redes cerebrais.

Outro ponto importante é que essas alterações podem começar muitos anos antes dos primeiros sintomas. A fase biológica da doença é mais longa do que a fase em que a pessoa já apresenta perda cognitiva evidente.

Por que Alzheimer geralmente começa com esquecimento?

Na apresentação mais comum da doença, regiões do lobo temporal medial, incluindo circuitos relacionados ao hipocampo, são afetadas precocemente. O hipocampo é fundamental para a formação de novas memórias.

Por isso, a forma clássica da doença costuma começar com dificuldade para guardar acontecimentos recentes. A pessoa pode esquecer conversas que teve há pouco tempo, repetir perguntas, não lembrar de um compromisso combinado ou ter dificuldade para reter informações novas.

O problema inicial costuma estar mais na formação de novas memórias do que na lembrança de fatos muito antigos. Por isso, alguém pode recordar acontecimentos da infância e, ao mesmo tempo, esquecer o que conversou naquela manhã.

Alzheimer sempre começa pela memória?

Não. Embora a alteração de memória seja a apresentação mais frequente, existem formas atípicas da doença.

Dependendo das redes cerebrais mais afetadas no início, podem predominar dificuldades de linguagem, alterações visuoespaciais, problemas na execução de movimentos complexos ou alterações de funções executivas e comportamento.

Essas apresentações são menos comuns, mas mostram por que o diagnóstico não deve se basear apenas na presença ou ausência de esquecimento.

Alzheimer e demência são a mesma coisa?

Não exatamente.

Demência é uma síndrome clínica. O termo descreve uma situação em que existe declínio de uma ou mais funções cognitivas com impacto suficiente para comprometer a independência da pessoa nas atividades do cotidiano.

Doença de Alzheimer é uma doença cerebral e é uma das principais causas de demência. Nas fases iniciais, uma pessoa pode ter doença de Alzheimer e ainda apresentar comprometimento cognitivo leve, sem perda importante de autonomia.

Como é feito o diagnóstico de Alzheimer?

O diagnóstico começa pela consulta. A história clínica detalhada, a conversa com familiares quando possível, o exame neurológico e a avaliação das diferentes funções cognitivas são fundamentais.

Dependendo do caso, utilizamos exames laboratoriais, ressonância magnética, avaliação neuropsicológica e métodos capazes de investigar biomarcadores da doença.

Hoje é possível detectar evidências da patologia do Alzheimer por exames do líquido cefalorraquidiano, PET com marcadores específicos e, em contextos apropriados, por alguns exames sanguíneos. Esses testes não substituem a avaliação clínica e precisam ser interpretados de acordo com a história e o estágio do paciente.

Um exame positivo não deve ser interpretado sozinho

Biomarcadores respondem perguntas biológicas. A consulta responde se aquele achado explica ou não o quadro clínico da pessoa, em que estágio ela está e qual conduta faz sentido.

Existe tratamento para doença de Alzheimer?

Sim. Existem tratamentos para sintomas cognitivos e comportamentais, além de intervenções sobre sono, atividade física, saúde vascular, rotina e suporte familiar.

O cenário também mudou com o surgimento de terapias modificadoras da doença dirigidas à beta-amiloide. No Brasil, a Anvisa registrou o donanemabe em 2025 e o lecanemabe no fim de 2025 para grupos selecionados de pacientes com doença de Alzheimer em fase inicial e critérios específicos.

Esses medicamentos não representam cura e não são indicados para todas as pessoas. A seleção exige confirmação da patologia amiloide, análise de estágio clínico, avaliação de riscos, incluindo alterações relacionadas à amiloide em exames de imagem, e acompanhamento especializado.

Portanto, a frase mais correta hoje não é "Alzheimer não tem o que fazer". Há muito o que avaliar e tratar. Ao mesmo tempo, ainda não existe uma terapia que elimine definitivamente a doença.

Perguntas frequentes

Todo esquecimento é Alzheimer?

Não. Alterações de memória podem ocorrer por diversos motivos, incluindo sono inadequado, ansiedade, depressão, medicamentos, doenças clínicas e outras condições neurológicas.

Alzheimer pode começar antes dos 65 anos?

Sim. A maioria dos casos ocorre em idades mais avançadas, mas existem formas de início precoce. Sintomas progressivos em pessoas mais jovens também precisam ser avaliados.

Existe exame de sangue para Alzheimer?

Existem biomarcadores sanguíneos que podem auxiliar a investigação em contextos clínicos apropriados. Eles não devem ser usados como um teste isolado para qualquer pessoa com esquecimento.

Alzheimer tem cura?

Até o momento, não há cura definitiva. Há tratamentos sintomáticos e, para pacientes selecionados em fases iniciais, terapias capazes de retardar a progressão clínica.

Fontes e revisão médica

Conteúdo educativo escrito e revisado por Dr. Cesar Castello Branco Lopes, médico neurologista, CRM-SP 193861, RQE 94138. As informações abaixo foram usadas como referências institucionais e podem ser atualizadas conforme novas evidências e regulamentações.

Dr. Cesar Castello Branco Lopes, neurologista

Dr. Cesar Castello Branco Lopes

Médico neurologista, CRM-SP 193861, RQE 94138. Atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, com foco em neurologia cognitiva, memória e demências.

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